Baccalauréat général Session de 1999

PORTUGAIS

Langue vivante 1 - Séries ES et S

Durée de l'épreuve : 3 heures. - Coefficient : 3

Répartition des points

I. Compréhension du texte 6

II. Compétence linguistique 6

III. Expression personnelle 8


TEXTE

- Mas que foi que o padeiro disse ?

- Que houve uma revolução esta noite.

- Aonde ?

- Aqui em Lisboa ! - e minha mãe acrescentou : - Eu estava mesmo à espera que isto acontecesse qualquer dia. Já estavam cansados de paz e sossego, é o que é. E agora vai ser o mesmo inferno dantes.

- Mas não sabemos o que aconteceu realmente, e está tudo tão calmo, não se ouve nada, será um boato (1). Ou a coisa não foi séria - dizia meu pai.

- Claro que foi séria ! Essas coisas são sempre muito sérias. Daqui de casa não sai ninguém - e minha mãe fitava-me (2) e a meu pai -, que eu não quero ficar numa aflição, e sozinha aqui, sem um homem em casa. Deus me livre.

- Tu estás doida ? Então não hei-de ir para o emprego ?

A criada, à porta, hesitava. Minha mãe dardejou (3) uma ordem : - Vá lá à mercearia, e de caminho pergunte o que é que houve - e ela saiu.

Meu pai disse : - O melhor é eu telefonar para o escritório, a saber o que se passou, o que é que há.

O telefone naquele tempo, na maior parte das casas, era um imponente (4) bibelô preto que ninguém usava se não em emergências extremas.

- Isso, telefona, pergunta para lá - apoiou minha mãe, e em procissão seguimos atrás dele em direcção ao objecto, no fundo do corredor, na esquina para a sala de jantar, sobre uma peanha (5) de que pendia um " napperon " branco que mais fazia ressaltar a nobre dignidade do monstrinho negro.

Quando meu pai falou, era evidente que tudo corria normalmente no escritório, apesar da excitação que se sentia que o telefone estava a transmitir e que ele pontuava de movimentos afirmativos de cabeça e de alguns ahs intercalados. Pousando o auscultador no gancho, meu pai deixou correr uns instantes, saboreando a solenidade da expectativa, e depois resumiu o que ouvira : - Parece que a Armada se revoltou, e alguns navios iam pelo rio abaixo, e os fortes meteram-nos no fundo. Mas não aconteceu mais nada. O governo domina a situação, já acabou tudo.

- Ora… - comentou minha mãe - isso é sempre o que os governos dizem. O melhor é esperar até amanhã, e, se não houver tiroteio (6) entretanto, é porque então é verdade.

Não me contive : - Mas também houve este tiroteio agora, e não se ouviu nada cá em casa…

Minha mãe ia responder-me asperamente, quando a criada voltou afogueada de notícias : - Ai minha senhora, lá na mercearia estava um ror de gente (Vêem ? - triunfou minha mãe para meu pai) e diz que houve uma revolução e que já acabou mas não se sabe se acabou ou não porque pode rebentar outra coisa e que foram uns navios da guerra (- De guerra - emendou minha mãe) que desataram aos tiros e mataram os oficiais todos e depois foram ao fundo porque o governo mandou que fossem metidos ao fundo e os fortes(7) foi que os meteram ao fundo e agora não se sabe mais nada e parece que está tudo quieto. Minha senhora, as batatas subiram, e o bacalhau e o arroz também, e o Sr. Joaquim (era o dono da mercearia) diz que podem faltar e por isso é mais caro.

- Estamos como dantes - comentou minha mãe - sempre que lhe cheirava a revolução esse homem subia o preço de tudo. É mau sinal.

                                                                                                                Jorge de Sena, Sinais de Fogo.

(1) boato = rumeur.

(2) fitar : fixar, olhar com insistência.

(3) dardejar : dizer com violência.

(4) imponente : majestoso.

(5) peanha : pequeno pedestal.

(6) tiroteio : muitos tiros sucessivos.

(7) forte = fort (militaire).


Travail à faire par le candidat

Selon votre formation, vous pouvez rédiger votre travail en portugais du Portugal ou en portugais du Brésil.

I. COMPRÉHENSION DU TEXTE (6 points)

Leia o texto com atenção e responda em português às seguintes perguntas :

1. Qual é o acontecimento evocado ?

2. Como se pode qualificar a atitude da mãe do narrador ? Justifique.

3. Levante e comente os elementos que opõem a atitude do pai à da mãe do narrador.

4. A que meio social pertencem as personagens deste texto ?

5. Como descreve o narrador o telefone ?

6. Em que estado de espírito fica a mãe após o telefonema ? O narrador compreende-a ? Justifique.

7. Como é que a criada conta o que aprendeu ? Qual é o efeito produzido ?

8. Finalmente o que é que pesa mais para confirmar a opinião da mãe ?

II. COMPÉTENCE LINGUISTIQUE (6 points)

1. Ponha na voz passiva as frases seguintes :

Exemplo : a criada comprou o pão  ->  o pão foi comprado pela criada.

a. O narrador chamou o pai.

b. O marido censurou a atitude da esposa.

c. A criada trouxe informações acerca da revolução.

d. Uma conversa animada dividiu os fregueses da loja.

2. Ponha as expressões seguintes no plural.

a. O sinal da revolução : ----------------------------------------------------------------- .

b. A luz do corredor : ------------------------------------------------------------------- .

c. O freguês amável : ------------------------------------------------------------------- .

d. O ano civil : ------------------------------------------------------------------------ .

3. Forme o diminutivo das palavras seguintes.

a. O cão : --------------------- .

b. A mulher : --------------------- .

c. A casa : --------------------- .

d. A mãe : --------------------- .

e. O filho : --------------------- .

f. O homem : --------------------- .

4. Complete as frases seguintes empregando o adjectivo entre parênteses na forma do comparativo desejada.

a. A liberdade é (importante) --------------------------- a justiça (igualdade).

b. A água do Mediterrâneo é (salgada) ---------------------------- a do Atlântico (superioridade).

c. Para a saúde o peixe é (bom) ---------------------------- a carne (superioridade).

d. Às vezes, o remédio é (mau) ---------------------------- o mal (superioridade).

5. Complete as frases seguintes com o pronome relativo.

a. A criada ouvira informações segundo as--------------------- a revolução era real.

b. A mãe não insistiu pois a criada já contara tudo --------------------- sabia.

c. O padeiro --------------------- fregueses são ricos mora em Lisboa.

d. Afinal foi o pai --------------------- acalmou a mãe.

6. Complete as frases, conjugando o verbo entre parênteses no imperativo.

a. Ó minha senhora, (telefonar) -------------------------------- para o escritório imediatamente !

b. Ó Maria, (tu - ir) -------------------------------- lá à mercearia saber notícias !

c. Não (vocês - dizer) -------------------------------- nada a ninguém.

d. (Você - perguntar) -------------------------------- ao padeiro o preço do pão.

e. Antes de sair (vocês - pôr) -------------------------------- tudo em ordem.

7. Seguindo o exemplo, complete as frases, conjugando o verbo entre parênteses no futuro do conjuntivo.

Exemplo : " Quando soubermos a verdade… ".

a. Quando (estar) --------------------- mais descansados, poderemos sair.

b. Quando tu (ir) --------------------- para o trabalho, ficarei sozinha.

c. Quando a revolução (terminar) --------------------- haverá mais igualdade.

d. Quando os senhores (ter) --------------------- liberdade, verão como tudo é mais fácil.

III. EXPRESSION PERSONNELLE (8 points)

Traitez au choix un des deux sujets proposés (50 lignes maximum) :

1. Já alguma vez teve a convicção de participar num acontecimento extraordinário ? Conte a sua experiência.

2. Na sua opinião em que medida o boato pode influir sobre os acontecimentos. Ilustre com exemplos a sua opinião.