Baccalauréat
général Session de 2001
PORTUGAIS Langue vivante 1 - Séries ES et S
Durée de l'épreuve : 3 heures. - Coefficient : 3
Répartition des points
I. Compréhension du texte 6 TEXTE EMPREGO EM LISBOA
Com todos os diagnósticos já feitos e repisados (1), e as várias conclusões amplamente debatidas, será que se justificava a Cimeira(2) do Emprego em Lisboa? As centrais sindicais entendiam que não: "Estamos cansados de ver o tema do emprego ser arrastado de cimeira para cimeira sem adopção de medidas concretas", afirmou uma delas. Eu creio, apesar de tudo, que sim: por mais debatido que o problema esteja, a pior das soluções seria acomodarmo-nos(3) e passar por cima. E, valha a verdade, a presidência portuguesa até canalizou para o debate algumas ideias interessantes. Era inevitável. Debater o emprego na Europa passa por compará-lo com o dos Estados Unidos. E este confronto é penoso(4): na Europa, mais de dez por cento da população activa não tem emprego, enquanto a mesma taxa não chega a metade disto na América. Já somos mais de 15 milhões de pessoas à espera - uma espera que, no limite, redunda em pobreza, violência, toxicodependência, exclusão social. Sendo certo que o problema é universal, por que há-de o nosso ser maior do que o dos outros? Que separa os europeus dos americanos? Que medidas tomar? A Europa tem um melhor nível de educação; a América tem uma população mais jovem. Na europa, não há trabalhadores, mas pessoas; na América, não há pessoas, mas máquinas. Na Europa há um certo amor ao emprego; a América não ama e, se necessário, muda de emprego todos os dias. O reflexo aparece na economia: a América cresce e desenvolve-se e a Europa não. Os sucessos mais recentes, todos ligados à revolução tecnológica, são no essencial americanos. Dúvida metafísica: é melhor a América desumanizada ou a Europa social? Bem intencionados que somos, o que nós queremos é uma espécie de "terceira via": o modelo social e o desenvolvimento económico - de preferência com emprego e estabilidade nos preços. E os empregos onde estão? Numa primeira fase, pensou-se em reformar mais cedo os idosos, abrindo espaço para os jovens. Mas depressa se concluiu que faltava quem sustentasse as pensões. Houve então que mudar de agulha(5): o que precisamos, afinal, já não é de partilhar(6) o trabalho, mas de aumentar o emprego. Só falta mesmo saber como é que isso se faz. Mas a redução gradual do tempo de trabalho associada às melhorias de produtividade, não era uma boa solução? Era - se toda a gente aderisse. O que sucedeu é que nenhuma das partes em confronto manifestou disponibilidade para ceder: os trabalhadores queriam diminuição de tempo sem diminuição de salário; as empresas só com menos salário admitiam discutir(7) o tempo. Enquanto isso, lá longe, a América continuava, assegurando um crescimento sem desemprego nem inflação. Compreendo o drama. Não é fácil ser solidário num mundo assim.
Daniel Amaral, in FOCUS n°23, 2000
Travail à faire par le candidat
Selon votre formation, vous pouvez rédiger en portugais du Portugal ou en portugais du Brésil.
I. COMPRÉHENSION DU TEXTE (6 points)
1. Mostre que o jornalista deste artigo e os sindicatos não têm o mesmo ponto de vista sobre a Cimeira do Emprego em Lisboa.
II. COMPÉTENCE LINGUISTIQUE (6 points)
a. ------------ o jornalista, o problema é complexo.
a. Embora o problema (ser) ---------- complexo, tem de ser resolvido.
a. concreto ----------
a. inevitável ----------
a. 16/06/2001
III. EXPRESSION PERSONNELLE (8 points)
Escolha um dos dois temas (50 linhas no máximo) :
1. O autor do artigo interroga: "É melhor a América desumanizada ou a Europa social?".
2. Arranjar emprego é o objectivo de cada indivíduo ao entrar na vida activa. Como é que encara esta questão? Desenvolva o assunto, exemplificando.
Barème de correction :
Noter sur 100, puis établir la note définitive sur 20 Portugais - Langue vivante 1 Séries ES et S
Texte : "Emprego em Lisboa", Daniel Amaral, in FOCUS n°23, 2000
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